quinta-feira, 29 de junho de 2017

COMENTÁRIOS DA LIÇÃO 5 (III TRIMESTRE 2017) A FÉ NO ANTIGO TESTAMENTO

COMENTÁRIOS DA LIÇÃO 5 (III TRIMESTRE 2017) A FÉ NO ANTIGO TESTAMENTO

VERSO ÁUREO: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.” Gálatas 3:13


INTRODUÇÃO (22 de julho)Como entender o verso áureo? Quando Paulo escreveu aos gálatas, estava condenando um sistema de religião que coloca a lei no lugar de Jesus. Como ele bem disse:

"Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” I  Timóteo 1:8. Paulo foi firme com os Gálatas porque eles estavam negando a salvação pela fé em Jesus. Quando lemos o capítulo 3:1-4 da carta, percebemos que os irmãos daquela igreja estavam fazendo da Lei, os cinco livros de Moisés, com todas as instruções ao povo de Deus, incluindo os Dez mandamentos, o meio de Salvação no lugar de Cristo. Só Cristo nos salva! Para afastar de vez essa ideia perigosa da igreja, Paulo mostra-lhes que o perdão, justificação, é apenas pela fé, graças ao sacrifício substitutivo realizado por Cristo na cruz. A lei, na teologia bíblica e de Paulo não pode ser o meio de salvação de pecadores. Ver Efésios 2:8, 9. Ela é sim o resultado de um coração transformado pela graça. Ver Efésios 2:10. Amém?

Era uma vez um menino que gostava muito de brincar na praia. Certa vez ele viu em uma vitrine um barquinho muito bonito, e todos os dias pedia ao seu pai para comprá-lo. Mas, o pai era pobre, e naquela ocasião não podia arranjar o dinheiro para comprar o barquinho, e disse ao menino: - Aqui tem madeira, martelo, pregos e tinta. Faça um para você mesmo. O menino começou a trabalhar, e em pouco tempo terminou o seu brinquedo. Ele pintou o barquinho de azul, vermelho e branco. Logo levou o barquinho à praia, onde não se cansava de brincar. Mas um dia o menino perdeu o seu brinquedo nas águas e não conseguiu encontrá-lo mais. Passaram algumas semanas, e um dia, quando passeava pela cidade com o pai, o rapaz viu o seu barquinho na vitrine de uma loja, à venda. Então ele entrou na loja e pediu o seu brinquedo.

- Não, menino, este brinquedo é meu, disse o dono da loja.
- Mas, é meu, disse o menino, eu o fiz com minhas próprias mãos!
- Está bem, pode ser, mas eu comprei o barco, faz poucos dias, de um senhor que ia passando. Desculpe-me, mas você só vai levá-lo pagando o seu preço justo. Então o menino pagou o preço e recebeu o seu barquinho de volta. Ele o abraçou fortemente e disse: - Ah, meu barquinho, eu te fiz e te perdi, eu te achei e te comprei. Agora és meu novamente. Esta história mostra-nos o que Jesus fez por todos nós. Ele nos criou e nos perdeu, nos achou e nos comprou com seu precioso sangue. Agora somos dele novamente. Amém?

Com muita facilidade nos prendemos com coisas que, por algum motivo são muito valiosas. Apegamo-nos a casas, carros, pedras preciosas ou até mesmo em posições e títulos académicos. Quanto maior o valor com mais força nos agarramos a eles. Sob o mesmo ponto de vista, poderíamos dizer que Deus também Se apega a algo que possui um valor extraordinário. No entanto, Ele não se apega a coisas como, rotineiramente nós fazemos. Deus se prendeu a algo de extremo valor ao ponto de não soltar mesmo em face da morte; somos nós, os seres humanos caídos. Ele nos ama!
O amor de Deus pela humanidade será matéria nas escolas do céu, e o conhecimento absorvido nesta matéria não terá fim. Este amor inigualável é um assombro mesmo para os anjos que estão a Sua volta. Os seres do universo contemplam com espanto e admiração a dimensão e amplitude do profundo amor do onipotente. Quão bom seria se fosse possível contemplar com mais clareza este nobre princípio que faz parte da essência da Divindade!

Assim o apóstolo Paulo descreve sua maneira de trabalhar. Não se aproximava dos judeus de forma a despertar preconceito. Não queria correr o risco de torna-los seus inimigos, dizendo-lhes logo no primeiro esforço que eles deveriam crer em Jesus de Nazaré, mas se demorava nas promessas das Escrituras do Antigo Testamento, que testemunhava de Cristo, de Sua missão e de Sua obra. Assim, levava-os passo a passo, mostrando-lhe à lei cerimonial, mostrando que foi Cristo quem instituiu todo o sistema sacrificial. Depois de se demorar sobre essas coisas, tornando-se evidente que ele mesmo tinha uma clara compreensão, levava-os até o primeiro advento de Cristo e provava que, em Jesus crucificado, todas as especificações das profecias se haviam cumprido. Essa era a sabedoria que Paulo exercia. Ele se aproximava dos gentios não exaltando a lei, em um primeiro momento, mas exaltando Cristo e, depois, mostrando os obrigatórios reclamos da lei. Mostrava-lhes claramente como a luz da cruz do calvário dava importância e glória a todo o sistema judaico. Mesmo assim, embora haja mudado seu modo de trabalhar e, sempre adequando a mensagem às circunstâncias em que estava colocado, depois de paciente trabalho, tivesse alcançado grande sucesso, muitos não eram convencidos. Alguns não serão convencidos por nenhuma apresentação da verdade. O obreiro de Deus deve, no entanto, estudar cuidadosamente o melhor método, a fim de não criar preconceito nem despertar em seus ouvintes.” Review and Herald, 25 de novembro de 1890 .

DOMINGO (23 de julho) OS INSENSATOS GÁLATASEste é o texto para hoje: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?” Gálatas 3:1-5

As igrejas da Galácia estavam sofrendo com os judaizantes, judeus convertidos ao cristianismo, que ensinavam justificação pelas obras e obediência à algumas leis cerimoniais caducadas. Este tipo de mensagem estava trazendo grandes males ao ponto de Paulo agir com extrema dureza contra os que insistiam com tais ideias. Paulo precisou enfrentar esses problemas com muita firmeza.

A heresia havia se estendido nas igrejas da Galácia. Como nos dias de hoje, estas heresias são difundidas no meio da igreja através dos próprios membros. A heresia é uma espécie de verdade doente que sempre encontra os seus simpatizantes, especialmente os que andam, por algum motivo, amargurados com pessoas. Há heresia para todos os gostos e elas são capazes de trazer grandes contendas e divisões.

Alguns crentes de hoje não demonstram estar tão interessados em estudar a Bíblia. As pessoas se contentam com aqueles estudos bíblicos que receberam para serem batizados, e depois acabam se acomodando com as coisas da vida e é nesta circunstância que a heresia se torna interessante, agradável e aparenta ser verdade.

A salvação é pela fé ou pelas obras? Pela fé, graça e sangue de Cristo: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.” Rom. 3:28. Ainda bem que é conforme o texto acima, pois se fosse o contrário, o homem seria insuportável. SOMOS SALVOS PELA GRAÇA, PELA FÉ E PELO SANGUE.

Então qual é a função da lei?

1) Conduzir o pecador à Jesus. Ela serve de aio. Ler Gálatas 3:24
2) Revelar a vontade de Deus à humanidade. A lei é o reflexo do carácter de Deus.
3) Fazer os pecadores sentir a necessidade de um salvador.
4) Mostrar os nossos pecados "Onde não há lei, também não há transgressão", "pela lei vem o pleno conhecimento do pecado." Rom 3:20
5) Os Dez Mandamentos estabelecem como devemos relacionar-nos com Deus e com o próximo, mas não podem estabelecer o perdão. O perdão vem de Jesus.
6) É para ser obedecida. “Anulamos , pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.” Rom 3.31.

A lei reflete o carácter de Deus. Todos os que a obedecem, são felizes.


“Bem aventurado o varão que...tem o seu prazer na lei do Senhor e na Sua lei medita de dia e de noite.” Salmo 1:1 e 2


“E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” Rom 7:12

Enquanto permanecia em Corinto, Paulo teve motivos para sérias apreensões com respeito a algumas das igrejas já estabelecidas. Através da influência de falsos ensinadores que se tinham levantado entre os crentes em Jerusalém, a divisão, heresia e sensualismo estavam rapidamente ganhando terreno entre os crentes na Galácia. Esses falsos ensinadores estavam misturando tradições judaicas com as verdades do evangelho. Desconsiderando a decisão do concílio geral de Jerusalém, impuseram aos crentes gentios a observância da lei cerimonial. A situação era crítica. Os males que haviam sido introduzidos ameaçavam destruir rapidamente as igrejas da Galácia. Paulo tinha o coração cortado e sua alma estava contristada por essa franca apostasia da parte daqueles a quem ensinara fielmente os princípios do evangelho. Imediatamente ele escreveu aos enganados crentes, expondo as falsas teorias que tinham aceitado, e com grande severidade repreendia a todos os que se estavam apartando da fé. Após saudar os gálatas com as palavras "graça e paz da parte de Deus Pai e da de nosso Senhor Jesus Cristo", dirige-lhes estas palavras de penetrante reprovação: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis dAquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho. O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do Céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema." Gál. 1:3, 6-8.

Os ensinos de Paulo estavam em harmonia com as Escrituras, e o Espírito Santo tinha dado testemunho de seu trabalho; por isso ele advertia a seus irmãos a não atentarem para coisa alguma que contradissesse as verdades que lhes havia ensinado. O apóstolo aconselha os crentes gálatas a considerarem cuidadosamente sua primeira experiência na vida cristã….Assim Paulo colocava os crentes da Galácia perante o tribunal de sua própria consciência, e procurava detê-los em seu caminho. Confiando no poder de Deus para salvar, e recusando-se a reconhecer as doutrinas dos ensinadores apóstatas, o apóstolo buscava levar os conversos a ver que haviam sido grosseiramente enganados, mas que pelo retorno a sua primeira fé no evangelho eles podiam ainda anular os propósitos de Satanás. Ele tomou posição firmemente ao lado da verdade e da justiça; e sua suprema fé e confiança na mensagem que apresentara, ajudou a muitos cuja fé havia fracassado, a retornarem à obediência ao Salvador.” Atos dos Apóstolos, 213, 214

SEGUNDA-FEIRA (24 de julho) FUNDAMENTADOS NA ESCRITURAEstes são os textos para o estudo de hoje: “Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.” Gálatas 3:6-8

O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras.” Romanos 1:2

Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” Rom. 4:3

Paulo faz menção da citação de Moisés inserida em Gênesis 15:6 referente à promessa do filho v. 15. Esta mesma abordagem é citada em Romanos 3:22 e em Gálatas 3:6. “Abraão creu em Deus, e isto foi-lhe imputado para justiça”. Segundo alguns comentaristas, tanto aqui quanto em Romanos 3:4-11, 22-24, o texto grego usa um verbo que, em contabilidade, significa creditar ou lançar na conta. Paulo ao ensinar sobre a redenção unicamente pela graça mediante a fé, se reportava ao pentateuco como base substancial. Para Paulo, não existia outro evangelho a não ser aquele que eles já possuíam em mãos; o Antigo Testamento. Jesus referiu-se ao Velho testamento quando disse: "Examinai as escrituras.."

Na época de Paulo o Novo Testamento ainda não tinha vindo à existência. Isto indica que, mesmo no pentateuco e nos profetas, a salvação sempre foi pela graça mediante a fé. O problema nunca esteve com a Escritura, mas com os que a interpretavam, de forma errada, atribuindo à lei méritos de salvação. Nunca foi assim e  quando o homem mete a mão nas coisas de Deus, sem os méritos de Cristo, consegue desvirtuar tudo!

O sacrifício diário implantado por Deus no Antigo Testamento, por quase quatro mil anos, era uma clara evidência deste princípio de salvação fora das obras. No entanto, assim como no passado, em nossos dias, corremos o mesmo risco, de interpretar equivocadamente o plano da redenção creditando nela nossas obras e obediência. Nunca a salvação foi pela lei ou algum mérito humano e nunca o será. O passaporte é a cruz com o sangue derramado por nós. Amém?

O espírito de escravidão é gerado pela tentativa de viver de acordo com a religião legalista, pelo esforço de cumprir as exigências da lei mediante as próprias forças. Não há esperança para nós, a não ser sob a aliança abraâmica, que é a aliança da graça pela fé em Cristo Jesus. O evangelho pregado a Abraão, pelo quel ele teve esperança, foi o mesmo evangelho pregado a nós hoje, pelo qual temos esperança. Abraão olhou a Jesus, que também é o autor e consumador de nossa fé” The Youth’s instructor, 22 de setembro de 1892.

Para os gentios, ele pregava Cristo como sua única esperança de salvação, mas, a princípio, não tinha nada a dizer sobre a lei. Depois que os corações estivessem aquecidos com a apresentação de Cristo como dom de Deus ao mundo, e o que estava envolvido na obra do Redentor no custoso sacrifício para manifestar o amor de Deus pelo homem, mostrava, na simplicidade mais eloquente, aquele amor por toda humanidade, judeus e gentios, para que fossem salvos, entregando-Lhe o coração. Assim, quando, eles se davam ao Senhor, enternecidos e subjugados, ele lhes apresentava a lei de Deus com prova de sua obediência. Era assim que ele adaptava seus métodos de trabalhos para levar as pessoas a Cristo. Special Testimonies for Ministers and Workers, Série A, No. 6, p. 54-55

TERÇA-FEIRA (25 de julho) CONSIDERADOS JUSTOSEstes são os textos para hoje: “Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” Gálatas 3:6

E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça.” Gên. 15:6

Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.” Rom. 4:13

Como considerar alguém justo quando o próprio Espírito Santo nos orienta em Sua revelação que “não há homem justo sobre a terra”? Ecl 7:20. Se você crê plenamente nas Escrituras como um todo não poderá ignorar tal revelação. Salomão, em sua incrível sabedoria e experiência não atribui, neste caso em específico, a virtude de justo à seres humanos. O mesmo texto ainda afirma que “não há quem não peque”, e comparado a I João 1:8-10, “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos estamos enganando”, estas palavras são contundente em apresentar nossa real condição e responderia a afirmação de Salomão.

Ellen White também afirma que, “a alegação de estarem sem pecado é em si mesma evidencia que aquele que a alimenta longe está de ser santo. É porque não tem nenhuma concepção verdadeira da infinita pureza e santidade de Deus, ou do que devem ser os que se hão de harmonizar com Seu caráter; é porque não aprendeu o verdadeiro conceito da pureza e perfeição supremas de Jesus, bem como da malignidade e horror do pecado, que o homem pode considerar-se santo. Quanto maior a distância entre ele e Cristo, e quanto mais impróprias forem suas concepções do caráter e requisitos divinos, tanto mais justo parecerá a seus próprios olhos” O Grande Conflito, 473.

É bom lembrar que, estas declarações não devem ser utilizadas para estabelecer uma apologia a favor do pecado, pois não há apoio para tal em toda a Bíblia, mas, para nos alertar que, por mais perfeitos que sejamos e por mais obedientes e exemplares que formos ainda seremos imperfeitos e devedores diante da justiça divina. A sujeira do pecado nos manchou de tal maneira, que, mesmo com a vida limpa, suas manchas ainda permanecem. Por este motivo, Paulo inseriu no discurso a experiência de Abraão e o motivo que o levou a ser considerado justo.

Não foi pelas obras que o patriarca recebeu o título de justo, mas pela fé unicamente. Deus nos considera, em Cristo, justo ou justificado. Ele credita na conta de nossa vida os méritos da justiça de Jesus. Alguns possuem dificuldades sérias para aceitar este fato, mas se assim não fosse, todos nós estaríamos completamente perdidos, pois nossa dívida diante de nossa condição é impagável sob a perspectiva humana.

Ellen White afirma que, “A lei requer justiça, vida justa, caráter perfeito; e isso não tem o homem para dar. Não pode satisfazer as reivindicações da santa lei divina. Mas Cristo, vindo à terra como homem, viveu vida santa, e desenvolveu caráter perfeito. Estes oferece Ele como dom gratuito a todos quantos o queiram receber. Sua vida substitui a dos homens. Assim obtêm remissão de pecados passados, mediante a paciência de Deus. Mais que isso, Cristo lhes comunica os atributos divinos. Forma o caráter humano segunda a semelhança do caráter de Deus, uma esplêndida estrutura de força e beleza espirituais. Assim, a própria justiça da lei se cumpre no crente em Cristo. Deus pode ser “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” O Desejado de Todas as Nações, 762.

Sobra-nos então as declarações de Tiago 2:21-24, que parecem contrariar o pensamento de Paulo, de Salomão e de Ellen White. Até Lutero teve dificuldades com as declarações de Tiago e, por algum tempo, imaginou que não fosse um livro inspirado ou considerado como evangelho, por aparentemente creditar justiça pelas obras da lei. No entanto, precisamos entender que, não há contradição em ambas as declarações, pois Paulo está falando sobre salvação, e Tiago sobre obediência. Paulo está combatendo o legalismo e Tiago o liberalismo. Paulo está falando sobre justificação diante de Deus, e Tiago sobre justificação diante dos homens. Paulo está mostrando que para Deus, nossa justificação depende da fé, e Tiago o testemunho diante dos homens exige cumprimento dos deveres cristãos.

Paulo usa Abraão para mostrar que, perante Deus, somos justificados somente pela fé. Tiago usa Abraão para mostrar que somos justificados diante dos homens. Como poderíamos evidenciar que nossa fé é genuína quando não obedecemos a Deus? Era a nota tônica de Tiago. Portanto, as duas declarações se harmonizam perfeitamente. Embora sejamos considerados justos unicamente pela fé, a obediência deve ser um fruto de sermos considerados justos. Amém?

QUARTA-FEIRA (26 de julho) O EVANGELHO NO ANTIGO TESTAMENTO - Estes são os textos de hoje: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gên. 12:1-3.

Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.” Lev. 17:11.

Embora a lei fosse confirmada, a salvação continuava a ser ensinada e entendida por Paulo como sendo, somente pela fé e graça. E ainda bem que assim é. Em Romanos 4:1-8 é confirmado que a salvação, no Antigo Testamento, assim como no Novo, era pela fé. “Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai, segundo a carne? Porque se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.” Rom 4:1 e 2

Era como se Paulo estivesse a dizer: “Se alguns estão dizendo que a salvação é pelas obras, isso não vem de Deus Pai, pois Ele não pensa assim.” O Verso 3 diz: “...Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.” Nos versos 6 e 7 Paulo cita David e citou o Salmo 32:1 onde diz:“Bem aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem aventurado o homem a quem o senhor não imputa o pecado.” A Salvação é pela fé, mas é necessário guardar a lei como forma de gratidão a Deus.

É interessante observar que em Hebreus 11 encontramos a justificação pela fé relatada no Velho Testamento: “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala. Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.” Heb. 11:4 e 5 e a lista continua…

Paulo, e outros escritores bíblicos, inúmeras vezes se reportaram ao Antigo Testamento para referir-se à salvação pela fé, especialmente quando fez uso das experiências de Abraão dizendo que fora “justificado pela fé” e não por obras. Ver Rom 4:1-6, 8-11, 22-24. 

Em Gálatas, ele retoma o assunto teológico da salvação e novamente faz a afirmação que “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” Gál 3:6. A própria natureza da aliança que fez com Abraão evidencia que foi feita pela fé somente e não na base da troca, por obras humanas. Ver Gên. 12:1-3.

Neste concerto feito por Deus com Abraão percebemos que somente Deus fez promessas, foram quatro no total, e Abraão respondeu realizando sacrifícios de animais. Estes sacrifícios representaram, em todo o Antigo Testamento, a remissão unicamente pela fé, pois o sangue dos animais apontava para o sangue de Cristo.

Este mesmo concerto foi renovado a Abraão, na promessa: "Em tua semente serão benditas todas as nações da Terra." Gên. 22:18. Esta promessa apontava para Cristo. Assim Abraão a compreendeu (Gál. 3:8 e 16), e confiou em Cristo para o perdão dos pecados. Foi esta fé que lhe foi atribuída como justiça. O concerto com Abraão mantinha também a autoridade da lei de Deus. O Senhor apareceu a Abraão e disse: "Eu sou o Deus todo-poderoso, anda em Minha presença e sê perfeito." Gên. 17:1. O testemunho de Deus concernente a Seu fiel servo foi: "Abraão obedeceu à Minha voz, e guardou o Meu mandado, os Meus preceitos, os Meus estatutos, e as Minhas leis." Gên. 26:5. E o Senhor lhe declarou: "Estabelecerei o Meu concerto entre Mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus, e à tua semente depois de ti." Gên. 17:7... O concerto abraâmico foi ratificado pelo sangue de Cristo, e é chamado o "segundo", ou o "novo" concerto, porque o sangue pelo qual foi selado foi vertido depois do sangue do primeiro concerto. Que o novo concerto era válido nos dias de Abraão, evidencia-se do fato de que foi então confirmado tanto pela promessa como pelo juramento de Deus, "duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta". Heb. 6:18.” Patriarcas e Profetas, pág 370, 371.

QUINTA-FEIRA (27 de julho) REMIDOS DE UMA MALDIÇÃOEste é o texto principal para o estudo de hoje: “De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão. Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.” Gál 3:9-14.

De que forma Cristo nos libertou da maldição da lei? “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. “ Gál 3.13

Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” II Cor. 5:21.

Para que pudéssemos ter direito a vida eterna, Deus necessitou morrer por nós. Paulo cita Deut. 21:23 onde menciona uma pratica judaica onde, se um corpo ficasse pendurado em uma árvore após a morte, estava sob a maldição de Deus. E a morte de Cristo foi vista como um exemplo dessa maldição. É por isso que muitos judeus deixaram de crer que Jesus fosse o Messias, pois, como pôde o filho de Deus ser amaldiçoado por Deus?

Em alguns países, especialmente nos Estados Unidos, muitos criminosos, devido algum tipo de crime hediondo, em seus julgamentos recebe a sentença de prisão perpetua. Estes presos condenados a morrerem encarcerados vivem desolados apenas esperando a morte dentro do presídio. Mesmo que se tornem bons homens, mesmo que se arrependam de seus atos, ainda assim terão que cumprir a pena perpétua.

As mudanças nos hábitos, o cumprimento das regras antes transgredidas e o arrependimento não são capazes de livrá-los da pena, terão que cumprir ao pé da letra a sentença. Da mesma forma, a sentença que todos nós recebemos como consequência da transgressão, só Cristo podia pagar.

Somente o sangue do Inocente Jesus podia pagar a penalidade dos nossos pecados. A maldição da lei, ou seja, a morte e separação eterna de Deus deveria se cumprir em nós. Por isto, Jesus, o filho de Deus, ofereceu-Se a morrer em nosso lugar para ser condenado por tal pena. O perdão nos foi concedido sem anular a necessidade de obedecer a lei de Deus. A lei é importante e a obediência a ela também, no entanto, não será por nossa boa conduta e obediência que todos nós herdaremos o que não nos é merecido. Somente por intermédio de Jesus. Amém?

Há muitos que não podem compreender a relação da fé com as obras. Dizem eles: "Crê apenas em Cristo, e estás salvo. Nada tens que ver com a guarda da lei." Mas a fé genuína se manifestará pela obediência. Disse Cristo aos judeus incrédulos: "Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão." João 8:39. E, com relação ao pai dos fiéis, declara o Senhor: "Abraão obedeceu à Minha voz, e guardou o Meu mandado, os Meus preceitos, os Meus estatutos, e as Minhas leis". Gên. 26:5. Diz o apóstolo Tiago: "A fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma." Tia. 2:17. E João, que tão amplamente se ocupa com o amor, diz-nos: "Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." I João 5:3.” Patriarcas e Profetas,153,154.

Muitos estão a perder o caminho certo, por pensarem que têm de alçar-se ao Céu; que têm de fazer algo para merecer o favor de Deus. Procuram tornar-se melhores por seus próprios esforços, desajudados. Isso jamais conseguirão realizar. Cristo abriu caminho morrendo como nosso sacrifício, vivendo como nosso exemplo, tornando-Se nosso grande Sumo Sacerdote. Diz Ele: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida." João 14:6. Se por qualquer esforço nosso pudéssemos subir um único degrau na escada, as palavras de Cristo não seriam verdadeiras. Mas quando aceitamos a Cristo, as boas obras aparecerão como frutífera prova de que nos achamos no caminho da vida, que Cristo é nosso caminho, e que estamos palmilhando a vereda certa, que conduz ao Céu.” Review and Herald, 4 de Novembro de 1890.

SEXTA-FEIRA (28 de julho) LEITURA ADICIONAL DA LIÇÃO 5 (III TRIMESTRE 2017) A FÉ NO ANTIGO TESTAMENTO – Através do sistema de sacrifícios de animais do Antigo Testamento, Deus ilustrou o terrível custo do pecado e a oferta de um substituto a altura do tamanho de estrago que o pecado causou no universo. Só Deus podia ocupar o lugar do homem pecador, em Sua morte, para o resgatar.

"Sobre Cristo, como nosso Substituto e Penhor, foi posta a iniquidade de nós todos. Foi contado como transgressor, a fim de que nos redimisse da condenação da lei. A culpa de todo descendente de Adão pesava-Lhe sobre o coração. A ira de Deus contra o pecado, a terrível manifestação de Seu desagrado por causa da iniquidade, encheram de consternação a alma de Seu Filho.” O Desejado de Todas as Nações, 753.

Há necessidade não só de fé, mas também de confiança em Deus. Esta é a verdadeira fé de Abraão, uma fé que produziu frutos. "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça." Tia. 2:23. Quando Deus mandou que ele oferecesse seu filho em sacrifício, era a mesma voz que falara ordenando que ele deixasse seu país e fosse para uma terra que Deus lhe mostraria. Abraão foi tão verdadeiramente salvo pela fé em Cristo como o pecador é salvo pela fé em Cristo hoje em dia. A fé que justifica sempre produz primeiro verdadeiro arrependimento, e então boas obras, as quais constituem o fruto dessa fé. Não há fé para a salvação que não produza bom fruto. Deus deu Cristo ao nosso mundo para que Se tornasse o substituto do pecador. No momento em que é exercida verdadeira fé nos méritos do custoso sacrifício expiatório, reivindicando a Cristo como Salvador pessoal, nesse próprio momento o pecador é justificado diante de Deus, porque está perdoado.” Mensagens Escolhidas, v.3, 195.

Para satisfazer os reclamos da lei, nossa fé tem de apoderar-se da justiça de Cristo, aceitando-a como nossa justiça. Mediante a união com Cristo, mediante a aceitação de Sua justiça pela fé, podemos ser habilitados para fazer as obras de Deus e ser cooperadores de Cristo. Se estais dispostos a flutuar ao sabor da corrente do mal, e não cooperardes com os seres celestes em restringir a transgressão em vossa família, e na igreja, a fim de que seja introduzida a justiça eterna, não tendes fé. A fé opera por amor e purifica a alma. Pela fé o Espírito Santo opera no coração para ali criar a santidade; isto, porém, não pode ser feito a menos que o agente humano coopere com Cristo. Só podemos ser habilitados para o Céu mediante a operação do Espírito Santo no coração; pois temos de ter a justiça de Cristo como credenciais nossas, se quisermos ter acesso ao Pai. Para que tenhamos a justiça de Cristo, precisamos diariamente ser transformados pela influência do Espírito, a fim de sermos participantes da natureza divina. É obra do Espírito Santo enobrecer os gostos, santificar o coração, enobrecer o homem todo.” Mensagens Escolhidas, v.1, 374.

Deus condena justamente todos os que não fazem de Cristo seu Salvador pessoal, mas Ele perdoa a todo que vem a Ele em fé, e lhe permite realizar as obras de Deus e, pela fé, se um com Cristo.” Review and Herald, 1 de novembro de 1892. Amém?

Luís Carlos Fonseca

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