quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Como Preparar e Pregar Sermões

Conteúdo


Capitulo I

O poder da palavra


A importância do ministério da palavra.
O ministério da Palavra é um dos ministérios mais importantes que Deus concedeu aos homens. Jesus fez uso dele muitas vezes. Alguns sermões de Jesus ficaram celebres: O sermão do monte e o sermão profético talvez tenham sido os mais importantes. Os discípulos de Jesus também desenvolveram esse ministério. Alguns sermões de Pedro e de Paulo são memoráveis. De acordo com Atos 06:03 e 04, duas coisas foram escolhidos pelos apóstolos como prioritários: A oração e o Ministério da Palavra.
Foi através da palavra que tudo o que vemos venho a existência (Salmos 33:06 e 09). Deus falou e tudo passou a existir. Tudo que existe brotou da palavra de Deus. A palavra de Deus é o elemento mais poderoso de todo o universo. A palavra de Deus tem poder! Após o pecado, Deus passou a usar o ser humano para se comunicar com outros seres humanos iniciando assim a proclamação da palavra de Deus, geralmente, primeiro falada e depois escrita, que formaria o que conhecemos hoje como Bíblia.
O papel do pregador moderno é justamente o contrário. Precisamos usar a palavra de Deus escrita e proclamá-la verbalmente para que a mesma atinja a mente e os corações dos ouvintes com mensagens de advertência, encorajamento, ensino e principalmente de salvação!
A promessa de Deus é: Assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei ”. Isaias 55:11
“Os que ingressam no ministério empenham-se numa obra especial e devem dedicar-se à oração e à pregação da Palavra.”[1]
“O dom da palavra é um talento que deve ser cultivado cuidadosamente. De todos os dons que recebemos de Deus, nenhum é capaz de se tornar maior bênção que este. Com a voz convencemos e persuadimos, com ela elevamos orações e louvores a Deus, e também falamos a outros do amor do Redentor. Que importância tem, pois, que seja bem educada a fim de tornar-se mais eficaz para o bem! ... A cultura e uso convenientes do dom da palavra relacionam-se com todos os ramos da obra cristã; penetra na vida familiar e em todo intercâmbio mútuo. Devemos acostumar-nos a falar em tom agradável, usando linguagem pura e correta, com palavras amáveis e corteses. Palavras suaves e bondosas são para o espírito como o orvalho e a chuva branda. A Escritura diz de Cristo, que havia em Seus lábios uma graça tal que sabia "dizer, a seu tempo, uma boa palavra ao que está cansado". Isa. 50:4. E o Senhor nos manda: "A vossa palavra seja sempre agradável" (Col. 4:6), "para que dê graça aos que a ouvem". Efés. 4:29.[2]
Em todos os tempos da história apareceram pessoas que usaram esse dom. Alguns para o bem, outros para o mal. Exemplos de pessoas que usaram o poder das palavras para o bem: Jesus, Paulo, Pedro, Martinho Lutero, Ellen White, Martin Luther King, Nelson Mandela. Pessoas que usaram as palavras para o mal: Napoleão Bonaparte, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Jim Jones, Davis Koresk e outros.
Precisamos usar esse dom maravilhoso que Deus nos dá a seu serviço. Para isso usamos a Homilética. O significa isso? Uma das melhores definições de homilética é “a disciplina teológica que estuda a ciência, a arte e a técnica de analisar, estruturar e entregar a mensagem do evangelho”.[3]


Capitulo II

A história do discurso[4]
Surgimento da oratória
Não se sabe ao certo quando surgiu a oratória. A Bíblia nos diz que Enoque, o sétimo depois de Adão, era um pregador (Judas 14). Noé também foi um grande pregador. Outros profetas da Bíblia também o foram. Salomão se autodenomina como o “Pregador” (Eclesiastes 1:1). No entanto foram os gregos que passaram a tratar o discurso, a pregação, a palavra falada como arte. Isso aconteceu com naturalidade. Dentro do contexto democrático em que viviam, era necessário reunir-se em praças públicas para discutir os assuntos comuns e logo se percebeu que quando alguns falavam eram mais apreciados e suas idéias eram acatadas mais rapidamente do que de outros. Logo se percebeu que todos esses indivíduos tinham pontos em comum em seus discursos.
Surgia uma nova arte, a retórica, ou seja, a arte da palavra falada. Por volta de 500 AC Córax propôs as normas do discurso. O maior orador grego foi Demóstenes. Os gregos nunca usaram a retórica para propagar a religião.
Quando os romanos conquistaram os gregos eles passaram também a usar a retórica e a chamá-la de oratória, derivado de óris que significa boca em latim. O maior orador romano foi Cícero (106 – 43 AC). A melhor e mais completa obra sobre oratória da antiguidade foi escrita por Quintiliano (35-95 AD). Os romanos também nunca usaram a oratória para propagar a religião.
Oratória Sacra
Provavelmente foi Paulo, educado nas artes gregas e romanas, o primeiro cristão a usar técnicas de oratória em seus sermões, mas foi apenas no quarto século da era cristã que os pregadores cristãos passaram a utilizar as regras da retórica grega e da oratória romana para estruturar suas mensagens. Entre os que mais se destacaram podemos citar Basílio e Crisóstomo entre os gregos e Ambrósio e Agostinho entre os latinos. Surgia a oratória sacra. No século 17 quando se começou a dar nomes gregos as matérias teológicas essa matéria passou a ser chamada de Homilética.
Assim podemos dizer que homilética é um ramo da retórica ou da oratória que trata do preparo e da apresentação de sermões.
Qual o objetivo da Homilética? Suas regras visam facilitar ao pregador a propagação do evangelho através da palavra e ao ouvinte o entendimento e a aceitação.
Modernamente a igreja crista tem utilizado a Homilética para facilitar a proclamação do evangelho a todas as pessoas.


Capitulo III

Ferramentas do Pregador
Para o preparo do sermão, objeto da oratória sacra, algumas ferramentas são fundamentais:
1. Bíblia – Principal ferramenta e deve ser a base de todos os sermões. É muito importante ter acesso a várias diferentes versões e se possível na língua original (hebraico e grego). Em português a versão Almeida e Revista e Atualizada 2ª edição, NVI e A Bíblia de Jerusalém são comumente aceitas como sendo as melhores. “Fazei com que o povo veja que em todos os sermões e estudos bíblicos, se apresenta um claro "Assim diz o Senhor" para a fé e as doutrinas que defendemos”. EW , Evangelismo, 153
2. Concordância Bíblica – ferramenta muito importante. É a maneira de pregador encontrar os vários textos da Bíblia que tratam do mesmo assunto. É também chamada de chave bíblica. Modernamente se encontram concordâncias bíblicas em vários sites. Uma das boas concordâncias pode ser encontrada em português no site www.jesusvoltara.com.br. É possível também encontrar nesse mesmo site o que Ellen White fala sobre o assunto. Ferramenta indispensável para o preparo de um sermão consistente e bíblico.
3. Dicionário Bíblico – contém as palavras da Bíblia em ordem alfabética e o seu significado correspondente. Importantíssimo para o pregador que quer apresentar ao seu publico o que o escritor bíblico de fato queria dizer. Existem bons dicionários bíblicos a disposição. Podemos citar: Dicionário VINE , da CPAD, O Novo Dicionário da Bíblia, Edições Vida Nova.
4. Enciclopédia Bíblica obra de referencia que expõe os fatos, as doutrinas, os costumes da época, etc. Fundamental para uma perfeita compreensão do texto bíblico.
5. Comentário Bíblico Explica a Bíblia toda ou parte dela, verso por verso a partir da visão de eruditos bíblicos. Temos o Comentário Bíblico Adventista em Inglês e Espanhol. Existem inúmeros comentários bíblicos. Algumas bíblias vêm com comentários bíblicos em seus rodapés. Precisamos tomar muito cuidado com essas anotações porque a maioria delas tem fortes tendências dispensacionalistas. Na última assembléia da Conferencia Geral a Andrews University lançou a primeira Bíblia anotada da Igreja Adventista, a Andrews Study Bible. A principio apenas em inglês. Um comentário bíblico muito bom em Português é a Série Cultura Bíblica da Edições Vida Nova.
6. Escritos de Ellen White como adventistas temos nos escritos de Ellen White uma fonte riquíssima de materiais para nossos sermões. Ellen White escreveu sobre praticamente todos os assuntos bíblicos e doutrinários. A Serie Conflito ( Patriarcas e Profetas, Profetas e Reis, Desejado de Todas as Nações, Atos dos Apóstolos e Grande Conflito) é um riquíssimo comentário de toda a Bíblia. Além dessa série ainda rtemos os livros História da Redenção, Parábolas de Jesus e O Maior discurso de Cristo que também são comentários da Bíblia. Temos atualmente a facilidade de ter esses materiais em CD-ROM e também na Internet. O site é www.ellenwhitebooks.com. É muito fácil encontrar o que Ellen White escreveu sobre praticamente todos os assuntos. Naturalmente que se faz necessário usar seus escritos dentro do contexto original.
7. Outros materiais úteis:
a. Harmonia dos Evangelhos – Pode-se ao se preparar um sermão sobre um texto dos evangelhos ver exatamente como cada um dos evangelistas contou o fato. Muito interessante ao se preparar uma mensagem com um dos milagres de Jesus.
b. Quem é Quem na Bíblia – Espécie de enciclopédia onde cada nome bíblico é apresentado e as pessoas que tiveram esse nome em toda a Bíblia. Fundamental no preparo de sermões biográficos.
c. A Bíblia em Esboços – material importantíssimo para se esboçar um sermão respeitando as perícopes do texto bíblico sem sair do contexto do texto.
d. Léxico do Novo Testamento – Ferramenta importante para se saber o significado das palavras do texto em sua língua original, o grego.
8. Erros a evitar
a. Usar uma experiência como base do sermão. Isso é existencialismo, pode até ser interessante, mas foge da Bíblia. As experiências são bem vindas como ilustrações não como o sermão propriamente dito.
b. Forçar o texto para provar uma idéia pré-estabelecida.
c. Ler um livro, gostar e fazer um sermão sem base bíblica usando meramente um capítulo do livro. O autor do livro estudou para escrever, o simples leitor não. Esta sendo muito comum essa prática com os livros do Pr. Bullún, Max Lucado, Charles Swindoll e outros grandes escritores cristãos.
Naturalmente que é o Espírito Santo que nos dá o entendimento da palavra de Deus, mas muitas vezes no passado ele usou pessoas para ajudar a trazer luz sobre diversos assuntos. Devemos usar os materiais propostos, pois essas pessoas dedicaram as suas vidas estudando e preparando esses matérias que podem ajudar no nosso crescimento e em mensagens mais substanciais e bíblicas para os nossos ouvintes.


Capitulo IV

Tipos de Sermões
Existe praticamente uma concordância entre os estudiosos a respeito dos tipos de sermões. Os mais comuns são:
· Sermão Temático
· Sermão Expositivo
· Sermão Textual
Não podemos afirmar qual desses sermões é melhor ou mais adequado. Todos podem ser bem usados e proporcionar grandes bênçãos aos ouvintes.
Sermão Temático
Definição: É um sermão cujas divisões principais derivam do tema independentemente do texto.
Exemplos de Temas: Oração, Fé, Volta de Jesus, Amor, Observância do Sábado, Justificação pela fé, etc.
Esses temas ou assuntos devem ser tirados da Bíblia, caso contrário o sermão não será essencialmente bíblico.
Para se preparar um sermão temático a concordância Bíblica será uma excelente ferramenta. Deve-se, no entanto, tomar cuidado para não usar textos fora do seu contexto original apenas para tentar justificar o tema.
Geralmente os sermões doutrinários são sermões temáticos. A maioria dos sermões das séries evangelísticas também são sermões temáticos.
Umas das características marcantes do sermão temática é o uso de muitos textos de partes diversas da Bíblia.
Exemplos de um esboço de sermão temático:
Tema: A Volta de Jesus
Ø A promessa da volta de Jesus – Joao 14:1-3
Ø Os Sinais da Volta de Jesus – Mateus 24
Ø O preparo para a Volta de Jesus – II Pedro 3: 11
Tema: O Sábado
§ A Instituição do Sábado
o No Éden – Genesis 2:1-2
o No Sinai – Êxodo 20:8-11
§ As Bênçãos do sábado
o Materiais – Isaias 58:13 e 14
o Espirituais – Ezequiel 20:12 e 20
Exercício:
1. Prepare o esboço de um sermão temático com o tema Salvação, colocando os títulos e os textos bíblicos de cada divisão temática e cada subdivisão temática.
Tema: Salvação
§ Primeira divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
§ Segunda divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
§ Conclusão:
Sermão Expositivo
Definição: É um sermão em que uma porção mais ou menos extensa das escrituras é interpretada e dela surge o tema ou assunto. A maior parte do material desse tipo de sermão provem diretamente da passagem, e o esboço consiste em uma série de idéias progressivas que giram em torno de uma idéia principal.
O sermão expositivo usa apenas uma passagem da Bíblia como base de sua argumentação. Pode ser alguns versos, todo um capítulo, vários capítulos ou até um livro inteiro.
O sermão expositivo tem sido avaliado pelos pregadores como sendo o mais eficaz para produzir em médio prazo uma congregação fundamentada na Bíblia.
É muito interessante usar sermões expositivos em séries de exposição Bíblica.
Exemplos de Séries:
§ Encontros de Jesus
§ Milagres de Jesus
§ Aprendendo com os Salmos
Ferramentas fundamentais para se preparar bons sermões expositivos são:
§ A Bíblia em Esboços
§ Escritos de Ellen White
Exemplos de esboço de sermão expositivo
Texto: Salmos 42 – O melhor de todos os desejos é estar na presença de Deus.
i. O desejo de Davi – Ele tem sede de Deus assim como a corça sedenta anseia encontrar água – Versos 1 – 2
ii. O desespero de Davi
a. Sente-se atacado por seus inimigos – versos 3, 9 e 10
b. Sente-se abandonado por Deus – verso 9
iii. A determinação de Davi
a. Lembra-se da bondade de Deus – versos 4 a 8
b. Descansa na bondade de Deus – verso 11
iv. Conclusão
Exercício: Prepare o esboço de sermão Expositivo com o Salmo 23, colocando os títulos e os versos bíblicos de cada divisão expositiva e cada subdivisão.
Texto: Salmo 23
§ Primeira divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
§ Segunda divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
§ Terceira divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
Conclusão:
Sermão Textual
Definição: É o sermão em que as divisões principais derivam de um texto de uma breve porção da Bíblia, geralmente 01 ou até 03 versos bíblicos e não precisam ser necessariamente do mesmo capítulo da Bíblia.
Sermão textual o texto define o tema. Apesar de se ter um texto principal, é possível utilizar outros textos da Bíblia para confirmar o tema sugerido pelo texto principal.
O esboço textual deve girar em torno de uma idéia principal e as divisões principais devem ampliar ou desenvolver essa idéia.
As divisões principais podem consistir em verdades ou princípios sugeridos pelo texto.
É possível encontrar mais de uma idéia no texto, no entanto, o esboço deve se manter em um único assunto.
As idéias ou divisões principais devem vir em seqüência lógica ou cronológica
O texto precisa ser estudado dentro de seu contexto.
Pode-se também colocar as idéias por comparação ou contraste.
Exemplo de Sermão Textual
Título: O Maior de todos
Texto Bíblico: João 3:16
i. O maior Amor – Deus amou o mundo
ii. A maior dádiva – Deus deu seu filho
iii. O maior alcance – Todos aqueles que crerem
iv. A maior recompensa – A Vida Eterna


Exercício: Prepare o esboço de sermão Textual com Romanos 12:01, colocando os títulos e os versos bíblicos de cada divisão Textual e cada subdivisão.
Titulo: O sacrifício vivo
Texto: Romanos 12:01
§ Primeira divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
§ Segunda divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
§ Terceira divisão:
o Subdivisão
o Subdivisão
Conclusão:
Minhas anotações sobre tipos de sermão:


Capitulo V

A estrutura do Sermão
Para se ter um sermão interessante, ele precisa ser bem estruturado. Um sermão precisa ter começo, meio e fim. Quando o sermão não tem estrutura, o pregador não sabe de onde saiu e nem para onde vai. A fala fica confusa e os ouvintes não são atingidos como poderiam ser.
Basicamente um sermão é assim estruturado para ser falado em 35 minutos, tempo médio para um sermão:
I. Introdução – 05 minutos
II. Argumentação – 20 minutos
III. Conclusão – 05 minutos
IV. Apelo – 05 minutos
Agora por partes:
A. Introdução – é aqui que o orador conquista o interesse dos ouvintes ou não. É a primeira impressão. Nesses primeiros instantes da fala ou se conquista os ouvintes ou é rejeitado por eles. Como pode um orador cativar ou conquistar um auditório?
a. Despertar a curiosidade
b. Deixar intrigado
c. Demonstrar a utilidade do tema que será apresentado
d. Recorrer a novidades
e. Dando boas noticias
f. Elogiando o auditório de maneira sincera
g. Se mostrar humilde.
Algumas coisas nunca devem ser feitas na introdução:
a. Pedir desculpas
b. Começar com palavras vazias (bem, então, bom)
c. Firmar posição sobre assunto polemico.
d. Lançar perguntas esperando respostas do auditório
É interessante o orador ao chegar o momento de falar se dirigir ao púlpito e por alguns segundos observar toda a platéia e após isso começar sua fala. Isso demonstra respeito e é uma homenagem indireta aos ouvintes, além do que serve como um poderoso calmante para o orador, caso ainda seja inexperiente.
B. Argumentação – e a parte em que o orador utiliza mais tempo. Tem que ser clara, lógica e seguindo uma linha definida. Aqui se explica o texto ou textos, dependendo do tipo de sermão pregado. Para se ter uma argumentação interessante, primeiro se faz o esboço, depois recheia o esboço. É imprescindível que a argumentação seja um crescendo para se chegar ao ápice onde começa a Conclusão. Pregadores experientes podem usar apenas o esboço. Pregadores iniciantes devem escrever o que vão falar em cada tópico do esboço. Os ouvintes devem ter a sensação de que estão sendo levados para um entendimento lógico do assunto em questão. Dentro da argumentação devem aparecer as ilustrações, breves e ao ponto, auxiliando o ouvinte a entender o a linha de pensamento do pregador.
C. Conclusão – e o clímax do sermão. Deve ser bem pensada e planejada. É o momento de se dizer aos ouvintes o que a verdade apresentada requer deles. Deve ser curta e certeira, predispondo os ouvintes a aceitarem o apelo que o final do sermão. A conclusão pode ser feita de algumas maneiras:
a. Apresentar os pontos principais do sermão em forma resumida, um tipo de recapitulação
b. Usar uma ilustração que resuma a idéia do sermão ou que mostre como as verdades apresentadas podem funcionar na vida de alguém.
c. Fazer perguntas retóricas
d. Fazer uma visualização do que as verdades apresentadas poderão fazer na vida dos ouvintes se os mesmos as aceitarem
O que nunca fazer na conclusão:
a. Nunca diga que se esqueceu de alguma coisa do sermão
b. Não pare abruptamente
c. Não se desculpe
d. Não estique – o famoso sermão pingo de mel.....
e. Não coloque novos argumentos
D. Apelo – e o fechamento do sermão. O momento da reação dos ouvintes. O chamado a ação. Deve ser ao ponto e pratico (levantar as mãos, levantar-se,vir a frente, etc). Pode ser progressivo. Exemplo: Levantar as mãos, se levantar, dar um passo a frente, vir à frente, ajoelhar-se. É importantíssimo em todo o sermão se fazer um apelo. Se possível o mesmo pode ser acompanhado de música especial, preferencialmente solo ou uma música instrumental solene. É interessante sempre fechar um apelo com uma breve oração proferida pelo pregador.



Capítulo VI

Como usar as ilustrações
As ilustrações são para o sermão o que as janelas são para uma casa. As janelas de uma casa tornam claro o seu interior, arejado e permitem a entrada do Sol. Apesar das janelas em uma casa serem muito importantes, um cômodo ou uma casa não pode ser feito apenas de janelas, de igual modo um sermão não pode ser feito apenas de ilustrações. As ilustrações em um sermão servem para trazer maior entendimento ao assunto, clarear o pensamento, embelezar a fala. No entanto um sermão não pode ter nas ilustrações a sua parte principal.
Infelizmente, muitos pregadores têm confundido ilustrações com gracejos e anedotas, algumas vezes até indelicadas e muitas vezes inventadas e contadas como sendo verdadeiras. Inventar historia é uma técnica que pode ser usada. Jesus usou várias vezes, são as parábolas. O que não podemos e mentir. Inventar uma história e colocar para os nossos ouvintes como sendo verdade.
Algumas orientações de Ellen White
“Não devem os pastores pregar opiniões de homens, não devem contar anedotas nem encenar representações teatrais, nem exibir-se; mas, como se estivessem na presença de Deus e do Senhor Jesus Cristo, têm de pregar a Palavra. Não introduzam na obra do ministério leviandades, mas preguem a Palavra de maneira que deixe em quem os escute, a mais solene impressão.”[5]
“Os pastores não devem formar hábito de contar anedotas no púlpito; isto prejudica o poder e a solenidade da verdade que apresentam. A narração de anedotas ou incidentes que produzam riso ou um pensamento leviano no espírito dos ouvintes é severamente censurável. As verdades devem ser revestidas de linguagem pura e cheia de dignidade; e as ilustrações devem ser de caráter semelhante.”[6]
“Os pastores não se devem habituar a relatar anedotas inoportunas em conexão com seus sermões; pois isso resulta em detrimento da força da verdade presente. A narração de anedotas ou incidentes que produzem hilaridade, ou um pensamento frívolo no espírito dos ouvintes, é severamente censurável. A verdade deve ser revestida de linguagem pura e digna; e as ilustrações empregadas precisam ser do mesmo caráter.”[7]
“Tampouco é alvo da pregação divertir. Alguns pastores têm adotado um estilo de pregação que não exerce a melhor influência. Tem-se tornado hábito seu entremear anedotas em seus discursos. A impressão assim exercida sobre os ouvintes não é um cheiro de vida para vida. Não devem os pastores introduzir histórias divertidas em sua pregação. O povo precisa de ração pura, completamente limpa da palha. "Pregues a Palavra" (II Tim. 4:2), foi a recomendação que Paulo deu a Timóteo, e esta é também a nossa comissão. O pastor que mistura o contar anedotas com seus sermões, está usando fogo estranho. Deus é ofendido, e desonrada a causa da verdade, quando os Seus representantes descem ao uso das palavras banais, frívolas.”[8]
Princípios a observar ao se usar Ilustrações
1. Usar ilustrações apropriadas – a ilustração deve ser clara e apropriada ao contexto da mensagem. Se a ilustração não for clara é melhor não usá-la.
2. Usar ilustrações normais - Ilustrações exageradas só trazem descrédito ao pregador e ao ministério da palavra e levarão o povo a acreditar que o pregador tem tendências ao exagero.
3. Usar ilustrações exatas – A ilustração que vale a pena ser apresentada, vale a pena ser bem apresentada. Ao apresentar uma ilustração o pregador deve saber de todos os detalhes da mesma. É melhor que seja apresentada de cor, mas se tiver muitos detalhes, convém ter anotações.
4. Usar ilustrações breves – A ilustração não deve ter tanta proeminência que roube o poder da mensagem, portanto em regra geral, devem ser breves.
As ilustrações podem ser usadas com bastante proveito em qualquer parte do sermão. Na Introdução, servem para atrair a atenção e despertar o interesse; na Argumentação para tornar claro o argumento, manter o interesse, repetir as idéias e prover descanso mental; e na conclusão para repetir as verdades apresentadas, resumir a idéia central ou mostrar como funciona a vida, para comover os sentimentos e apelar à vontade.[9]
Tipos de Ilustrações
A. Figuras de Linguagem
a. Símile – Enfatiza a semelhança entra duas idéias, objetos, ações. Usa as palavras semelhante ou como.
b. Metáfora – é uma comparação não expressa. Exemplo: “Vós sois a luz do mundo”
c. Antítese – é a colocação lado a lado de idéias opostas.
d. Hipérbole – é o exagero intencional de uma verdade no sentido de realçá-la.
B. Alegorias – é uma metáfora ampliada
C. Parábolas – é um símile ampliado
D. Alusão Histórica
E. Incidente biográfico e/ ou experiência pessoal

Capítulo VII

O Preparo do Pregador
Como já vimos anteriormente, o ministério da palavra é um dos principias ministérios deixados por Deus ao homem. Para se ter um ministério da palavra eficiente é necessário um bom preparo. Algumas coisas são essenciais:
1. Estudo da Bíblia
2. Ser um homem de Oração
3. Manter aquecido o coração através de leituras inspiradoras
4. Efetuar um exame diário de si mesmo
5. Cuidar bem da saúde física
6. Ter descanso adequado
Esses itens são importantíssimos para o sucesso como pregador.
Sugestões de leituras inspiradoras:
· Livros de Ellen White
· Série Heróis da Fé – Charles Swindoll
· O perfil do pregador – John Stott
· A Cruz de Cristo – John Stott
· Histórias para o coração I e II – Alice Gray
· Livros de Max Lucado
· Fuga para Deus - Jim Hohnberger
· O melhor de C.H Spurgeon
· Livros de John Maxwell
· Se Meu Povo Orar – Randy Maxwell
· O Retorno da Glória – Randy Maxwell
· Outros
Além desse preparo o pregador de sucesso deve desenvolver algumas qualidades em si mesmo.
· Consagração
· Deve ser dependente do Espírito Santo
· Deve Identificar-se com a mensagem
· Humildade
· Sensibilidade
· Entusiasmo
· Conhecimento
· Boa Memória
· Criatividade
· Um bom vocabulário
· Evitar ser prolixo
· Ter fluência verbal
· Deve ser corajoso
· Dever ser observador
· Ter boa expressão corporal
Todas essas características ajudam para que uma pessoa se destaque como orador cristão.
Alguns dessas características são inatas ao individuo, outras precisam ser adquiridas e desenvolvidas ao longo de toda uma vida.
No ministério da Palavra o aprendizado é uma obra de uma vida toda. A cada sermão pregado, o pregador desenvolve um pouco mais os seus dons.


[1] Ellen White, Evangelismo pg.91
[2] Ellen White, Parábolas de Jesus, 335
[3] Hans Ulrich Reifler, Pregação ao Alcance de todos, 11
[4] Capitulo baseado no capitulo 16 do livro Como Preparar e apresentar sermões, Emilson dos Reis, CPB
[5] White, Review and Herald, 28 de setembro de 1897.
[6] White, Evangelismo,640
[7] White, Obreiros Evangélicos, 166
[8] White, Review and Herald, 22 de dezembro de 1904.
[9] Emilson dos Reis, Como preparar e apresentar Sermões, 66 citando James D. Crane , O Sermão Eficaz, pg 131,132.
Preparado por: Tomaz Abrantis da Silva
Publicado por: Luís Carlos Fonseca

4 comentários:

  1. Querido amigo, irmão e pastor Luís Carlos, mais um precioso instrumento para todos aqueles que são honrados com o convite para apresentar a Palavra, do púlpito.
    Muito obrigado.
    Grandes bençãos do céu.

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  2. Olá amigo Luiz. Fico feliz por sua apreciação. Que tenhamos pregações com preparo e poder. Um abraço

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  3. a PALAVRA DE DEUS ELA NAO TEM QUE SER PREPARADA ELA TEM QUE VIR DOS CÉUS SENDO ASSIM ESSA PALAVRA QUE ENSINAM E VINDA DO HOMEM E VINDA DE LIVROS DE CONTOS A PALAVRA DE DEUS ELA E REVELADA PELO ESPIRITO NA HORA E PAO QUANTINHO E NAO PAO FRIO.

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  4. muito bom mais esse comentario de Escritos de Ellen White meu amigo não vale de nada pois o mesno contradis toda a escrituras bricadeira sou mais pegar um livro de geografia mundia ou um livro de português fala serio

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