sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Esboço de sermão: Decisão: Uma Escolha Que Transforma



Decisão: Uma Escolha Que Transforma


Texto Chave: “Ele, angustiado, suplicou deveras ao SENHOR, seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais; fez-lhe oração, e Deus se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o SENHOR era Deus.” (2 Cron. 33:12-13)


Introdução -  A história da humanidade está manchada por episódios envolvendo muita crueldade. Nomes de homens e mulheres são encontrados com muita facilidade nos registros da história relacionados a atos inomináveis. O que pode ser considerado como crueldade? Alguém com uma política louca levando à morte milhares de pessoas? A mãe jogando um recém-nascido no lixo? Um ser humano violentando outro? A população sofrendo como resultado de políticas corruptas? Atentados terroristas ceifando a vida de milhares de inocentes? Animais indefesos sendo maltratados? Crianças sendo privadas de amor, carinho e de suas necessidades básicas?



O que você faria se em suas mãos estive o destino dos autores dessas crueldades?


Vou lhe apresentar um homem chamado Manassés. Ele era filho do piedoso rei Ezequias e
governou o reino de Judá por 55 anos, o maior período registrado entre os reis de Judá. Ainda
jovem, presenciou alguns milagres durante o tempo de corregência com seu pai: o livramento
do reino de Judá das mãos do exército de 185 mil soldados assírios e a cura de seu pai, Ezequias, de uma doença mortal. Infelizmente essas maravilhas não impressionaram tanto seu coração e ele se tornou um dos reis mais perversos e desumanos da história de Judá. O que o pai limpou ele sujou, o que o pai destruiu ele reconstruiu e o que o pai construiu ele destruiu. Sua vida é o retrato de um homem confuso, que buscou alternativas das mais diversas para solucionar o vazio existente em seu coração. Apesar de tudo, sua vida também é uma forte evidência de que o verdadeiro arrependimento é uma ação direta de Deus na vida do homem, seguida por uma resposta favorável do homem ao Senhor.


I – Manassés antes do encontro com Deus (2Cr 33:2-9) “Manassés, porém, desencaminhou Judá e o povo de Jerusalém, ao ponto de fazerem pior do que as nações que o Senhor havia destruído diante dos israelitas.” (2Cr 33:9).


Se pudéssemos resumir esta parte da vida de Manassés em uma palavra, esta seria “desastre”. Manassés, apesar de ter sido criado em um ambiente onde Deus era o centro da vida e das ações, parece não ter compreendido nem interiorizado os conhecimentos aprendidos em relação a Deus e aos mandamentos (Êx 20:2-17). Por esta razão, a maior parte de sua vida foi um completo desastre em termos de liderança e influência sobre o povo.


Manassés ignorou os mandamentos e seu dever como líder ao escolher qualquer coisa que não Deus. O Templo foi construído para que Deus vivesse com Seu povo (Êx 25:8; 1Re 8:10-11), mas Manassés de forma atrevida colocou dentro dele ídolos, dentre eles a imagem da deusa Aserá, aceita como a esposa de Baal (entre os cananeus era o deus do tempo, da guerra e da fertilidade). Reconstruiu locais de adoração a esses ídolos por todo lugar, locais estes que seu pai havia destruído. Manassés ficou tão insensível que ofereceu os próprios filhos como oferta aos deuses queimando-os no fogo, prática comum entre os cananeus quando honravam o deus Moloque. O pecado paralisa, anestesia. O homem sem Deus vai longe com as suas maldades.


Os quatro primeiros mandamentos do Decálogo mostram como deve ser nosso relacionamento
com Deus (Êx 20:2-11), manifestado por meio da fidelidade, obediência, respeito e de priorizá-Lo como sendo essencial a nossa vida. Quando alguém ou alguma coisa ocupa no coração do ser humano o espaço que é de Deus, isso se torna seu deus e suas ações são guiadas a partir daí por algo que é falho e que destrói pouco a pouco. O grande desafio é saber identificar os ídolos que nos afastam de Deus: riquezas, posição social, apetite não controlado, falsas filosofias, o próprio eu, ou até mesmo pessoas. Mas a lista não se resume a esses itens. Ela é tão extensa quanto as desculpas que podemos encontrar para afastar Deus de nós.


II – Manassés Durante o Encontro com Deus (2Cr 33:10-12) O pecado endurece o coração, a capacidade de raciocinar fica bloqueada, a pessoa justifica o pecado e não sente o perigo, a mente não consegue perceber a extensão dos danos que está causando a si mesmo e aos demais. Mas Deus é o Senhor da iniciativa. Ele falou muitas vezes a Manassés, mas este não Lhe deu a mínima atenção. Então, por amor, Deus Se valeu de medidas drásticas e dolorosas para despertá-lo e também ao povo. Como era costume dos assírios após uma conquista, estes levavam os sobreviventes como prisioneiros, presos em correntes e tendo no nariz um gancho (2Re 19:28). Dessa forma, Manassés e muitos do povo foram levados para a Assíria. Quanta dor e humilhação!


Os carpinteiros usam um instrumento conhecido como “pé-de-cabra”. Ele é colocado em pequenos espaços fazendo uma alavanca que separa com eficiência determinados materiais que dificilmente resistem a sua força. Alguns materiais quebram pela resistência que oferecem. O cativeiro assírio foi o “pé-de-cabra” nas mãos de Deus procurando acesso ao coração de Manassés.


Deus encontrou um espaço e tocou em sua mente. Manassés apenas caiu em si e reconheceu
seu erro quando foi colocado nessa situação terrível. Ele então, finalmente, ouviu a voz de Deus.

Este momento é muito importante, pois dois poderes trabalham intensamente, Satanás e
Deus. De um lado você pode escutar claramente: acabou, você foi longe demais, fique onde está, você jamais sairá deste lugar, você passou dos limites, é impossível voltar atrás, tire a sua vida.

Mas, uma voz ainda mais clara se manifesta também: Eu Sou o caminho, a verdade e a vida; Eu sou fiel e justo para lhe perdoar e purificar; ainda que você esteja irreconhecível de tanta sujeira vou deixá-lo limpo; sacie a sua sede; Eu farei de você uma nova pessoa. Amigos, a voz de Deus é a única que deve ser levada em conta, não importa o sentimento de desolação que se encontra em seu coração.


O reconhecimento pessoal do pecado é um dos elementos que fornecem a base para o verdadeiro arrependimento (Sl 51:3-4; Lc 15:18-19) que é acompanhado por uma tristeza que toma conta do coração abatido (Jl 2:12-13; 2Co 7:10). A principal palavra traduzida como arrependimento no NT é “metanoia”, ela significa mudança da mente. No AT o pensamento hebraico para arrependimento “shub” é um pouco mais amplo, envolve mudança de atitude, mudança de direção e um retorno à fonte da vida. Para ser verdadeiro, o arrependimento precisa ter como fonte de motivação o amor e a bondade de Deus e não o medo da realidade do juízo. Deus é amor e por esta razão Ele toma a iniciativa, o arrependimento é a resposta do homem ao amor de Deus. Arrependimento, portanto, é decidir afastar-se do pecado e aproximar-se de Deus por amor.


III – Manassés Após o Encontro com Deus (33:13-16)
Muros comprometidos é sinal de insegurança, é estar vulnerável aos ataques de inimigos,
bandidos e malfeitores. Manassés nos deixa importantes lições. Decisão não é um fim em si
mesmo, é um processo continuo que precisa ser renovado dia após dia, desta forma vamos construindo ou restaurando os muros da nossa vida e sendo protegidos dos ataques do inimigo. Dedicar a Deus os primeiros momentos do dia por meio da oração, estudo e reflexão da Palavra de Deus; realizar o culto familiar; ir à igreja adorar ao Senhor; escolher e trazer um amigo para a sua vida e trabalhar com ele para que compreenda o amor de Deus são pedras que dia a dia vão sendo adicionadas ao muro tornando a cidade da nossa vida uma verdadeira fortaleza. A decisão como um processo envolve a construção de um muro ao redor da vida.

Embora estejamos lidando com um inimigo astuto, forte, sagaz, sutil e que sabe como encontrar brechas para se infiltrar, podemos afirmar com segurança: Deus é maior (I Jo 3:9). Uma fortaleza precisa de portões, uma casa precisa de portas. Assim somos nós, temos janelas, são as vias de acesso ao nosso ser: olhos, ouvidos, boca, mente. Cada pessoa deve colocar uma guarda em todas as portas que dão acesso a vida: uma guarda na porta dos olhos, uma guarda na porta da boca, uma guarda na porta do ouvido, uma guarda na porta da mente. A vida de homens e mulheres é resultado do que passa por essas portas. A decisão, como um processo, envolve o emprego de guardiões para vigiarem essas portas, como um antivírus.


Aproximar-se de Deus é ter uma visão melhor das coisas, é ter melhor sensibilidade e percepção. O novo Manassés conseguiu enxergar quanto lixo havia colocado dentro do templo.

Corajosamente ele retirou as imundícias para fora da cidade. A decisão que é verdadeira será
seguida por uma santa ousadia de pôr para fora da vida de todo o lixo e entulho que vinham se
acumulando.


A restauração do altar mostra que a relação entre Manassés e Deus estava restabelecida. O
que não foi possível reverter em sua história foi a influência deixada em sua família e nas pessoas que por anos ele liderou. O pecado sempre deixa marcas profundas, consequências irreversíveis.


Conclusão - Manassés escolheu mudar de vida. Antes, andou errante de um lado para outro em busca de algo que preenchesse o vazio existente em seu coração. O dinheiro não resolveu e nunca resolverá, os ídolos não resolveram e nunca resolverão, o ocultismo não resolveu e nunca resolverá. Nossa esperança e segurança é que Deus é o Senhor da iniciativa.


Amigo, Deus não pode ser tratado como uma tentativa, Ele é a única saída, por isso a vida de Manassés foi transformada, do vazio para a plenitude. Ele reconheceu que Deus havia tomado a iniciativa para o salvar, reconheceu quem ele era e reconheceu quem é Deus. Estes são os passos indispensáveis para uma decisão ser bem tomada e ser transformadora.

Manassés foi um rei cruel, andava perdido, desorientado, cometeu muitos erros, porém Deus o amou mais do que os muitos erros que ele cometeu. Arrependimento é uma operação de Deus no coração do homem e uma resposta favorável do
homem ao Senhor. E o perdão de Deus é oferecido a todos, sem exceção.


Apelo - Em 2013 vários jovens perderam a vida em um incêndio na boate Kiss na cidade de Santa
Maria, RS (Brasil). Quando o incidente começou, em meio à escuridão alguém correu na direção de um foco de luz imaginando ser a saída de emergência e vários foram atrás, mas se tratava de um compartimento sem saída. Infelizmente isto causou ainda mais mortes.


Amigo, o Reino de Deus está próximo e será ocupado por pecadores arrependidos, pessoas
que ouviram a voz de Deus e reconheceram que Deus tomou a iniciativa para a salvação delas; reconheceram seu estado pecaminoso e reconheceram quem é Deus. Esta é a única e verdadeira saída, uma saída segura e salvadora. Manassés fez a parte dele, mas agora você precisa fazer a sua parte, hoje é o dia de começar a mudar a sua história!

Este sermão é um oferecimento do Departamento de Comunicação da Associação Paulista Sudoeste

Luís Carlos Fonseca

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